E aí pessoal!

Tudo certo??

Hoje queremos compartilhar com vocês o relato do Matheus Alessandro Silva, que está em missão em Melbourne, na Austrália.

Nada mais e como antes. Estou vivendo do outro lado do mundo, morando em uma linda cidade, trabalhando com jovens, desenvolvendo projetos para a formação na pastoral, com encontros, reuniões, festivais. Tenho ótimos amigos morando na mesma casa, que me ajudam e me inserem cada vez mais em suas vidas, sua cultura e me fazem crescer como pessoa.
Ok, esse e o resultado de um mês morando aqui, mas não quer dizer que foi fácil e lindo desde o começo. A primeira semana é boa porque você esta cansado da viagem, o fuso horário ainda pesa e você esta maravilhado com a cidade, com a vida aqui e conhecendo pessoas novas.

A segunda semana começa a pesar a saudade e a ficha cai, fazendo você refletir o seu propósito, seus motivos para estar longe de casa e da sua zona de conforto.

A terceira semana permanece quase igual a segunda, mas com uma maior aceitação de tudo o que esta acontecendo ao seu redor. A partir daí, tudo passa a ser mais simples, você se sente mais confiante e as coisas fluem mais naturalmente.
Cheguei aqui dia 6 de junho. Destino? Coincidência? Conspiração? Pode ser, mas eu prefiro acreditar que foi “culpa” de quem comprou a passagem (mandaram bem demais kkkk). Para quem não sabe ou não lembra, dia 6 de junho e dia de São Marcelino Champagnat, e se isso não e uma ótima inspiração para começar uma experiencia de voluntariado, eu não sei o que é.

Enfim, cheguei nesse dia e já tivemos uma festa de recepção…(brincadeira). Era uma festinha para o responsável por toda essa vida Marista que tanto ouvimos falar. Conheci pessoas maravilhosas, que estariam comigo a todo momento, algumas de vez em quando, mas que sempre que nos vemos, o tratamento é o melhor possível. E quando vi, já estava ajudando a preparar o Bread Run, embalando pães, para famílias que necessitam.
E assim a semana foi seguindo, um dia após o outro, aprendendo a viver, conhecendo a área da minha casa e aprendendo a usar o transporte publico. Conhecendo a cidade, pontos turísticos, tudo o que um turista deve fazer. Afinal, eu também sou um turista aqui e nada melhor do que conhecer o país que se vive, antes de realmente começar a viver nele. Falo isso, meio triste por não conhecer tão bem meu próprio pais.

Os dias foram passando, conheci meu local de trabalho, que não e muito longe de casa e comecei a ter contato com as pessoas que trabalho. É um tanto quanto diferente do Brasil. Não disse que é ruim, só disse que é diferente! É bom, da mesma maneira, com as mesmas responsabilidades, profissionalismo e paixão pelo trabalho. A principio, meus dias se resumiram a escrever meu blog, ajudar em tudo o que fosse preciso para a realização do MYF (vou explicar mais pra baixo, o que e ), e me habituar a cidade.

Chegou o tão esperado momento. Marist Youth Festival chegou e trouxe consigo, todos os desafios de um grande evento como esse. Uma semana antes de começar, cheguei em Sidney, e é claro que não ia perder a oportunidade de passear e conhecer a cidade. Mas o foco não e esse (kkk). A semana foi repleta de trabalho, suor, correria e com certeza, muita alegria.

Novamente, ajudei em tudo o que me pediam e tentei deixar minha marca nesse evento, sempre presente. E posso dizer que eles deram um show de preparação, organização e sintonia. Que grupo incrível. Todos buscando um só objetivo, que era fazer aquelas centenas de pessoas que chegariam, sentir a presença de Deus e acordar para isso. Não acordar para a vida, como se fossem simplesmente jovens esperando alguém avisar que era hora de acordar, mas despertarem para esse desejo de buscar o diferente, o desafio, buscar ajudar quem precisa e buscar encontrar quem precisa dessa ajuda. Às vezes, em nosso dia a dia, passam despercebidos, quase invisíveis, por culpa dessa sociedade que os torna assim, e o objetivo desse evento foi realmente, ampliar a visão, despertar o nosso olhar para todas as pessoas, sem distinção.
A vida pós-festival e um pouco diferente. Acredito que eu não estou sentindo tanto essa diferença porque participei bem menos do que todos os outros que trabalharam duro para acontecer da melhor forma. Mas a melhor parte é que eu também sinto um incomodo, assim como alguns jovens estão sentindo. E não é só o fato da saudade de estarmos todos reunidos, de poder fazer amizade, de participar de momentos inesquecíveis, mas também por sentir que eu preciso fazer mais, preciso buscar ajudar mais pessoas, olhar além e buscar expandir meu voluntariado a todas as pessoas que eu puder.
“Voluntariado não é apenas sobre o trabalho. É sobre a experiencia de estar desconfortável em um lugar diferente, fazendo o que for preciso.” Quem me disse isso, estava mais perto do que eu imaginava, mesmo estando longe. E depois de ouvir isso, eu percebi que sim, de fato, eu sou um voluntário e farei o impossível para representar e realizar o sonho daquele menino, de poder “viajar o mundo ajudando e aprendendo com as pessoas”. E como já disse lá em cima, claramente não voltarei o mesmo, mas não to preocupado em voltar não, viu?! To pensando em viver todos os dias aqui como se já fossem meus últimos aqui e fosse voltar amanhã.

O tempo voa, os dias também, e quando você menos espera, passou, e aí, você viveu? Ta feliz com o resultado? Fez tudo o que queria, deveria ou poderia? O universo não responde ao que você quer, mas ao que você esta sendo. Você esta sendo o que você quer?